Invejo os poetas,
Que transformam as palavras em doces,
Em féu e vinho.
Que matam, embriagam ou adocicam a vida.
Invejo os poetas,
Que ao caminhar, observam o banal e o óbvio,
Com suas lentes da mente e do coração,
Escrevem o que todos falam,
O que todos vivem, de forma extraordinária.
Odeio os poetas,
Que, embora saibam fazer tudo isso,
Muitas vezes, não consigam amar.
Talvez amem demais. Ou de menos.
Odeio os poetas, que, sendo poetas, e não eu,
Só escrevem e brincam (com as palavras),
Por que a vida, para eles, já não tem mais graça.
Imito, sem sucesso, os poetas,
Escrevo, observo, vivo, brinco. Mais nada.
Não transformo nada em nada (nem as palavras).
Somente finjo ser um fingidor,
E, na dor, nada posso fazer,
A não ser…
Amar os poetas!
